GUIAS DE PROTEÇÃO

Instrumento de Ligação



Quem nunca viu um crucifixo no pescoço de um Padre? 

Um índio com seu colar? 

Acredito que todos nós já vimos, né?

Desde de os tempos remotos, tais objetos são usados não só como adornos, mas também como símbolo sagrado, indicavam hierarquias ou até mesmo como objetos magísticos, perfeitos amuletos dentro de um clã ou de uma tribo.

Na nossa Umbanda querida as nossa guias são colares coloridos utilizados nos trabalhos, fazendo parte do fundamento de todo Umbandista. As guias são verdadeiros para-raios em defesa dos médiuns. Elas são imantadas pelos guias chefes ou pelos dirigentes da casa através das energias da natureza para servirem de escudos contra as energias negativas que possam se aproximar dos servidores da Umbanda na prática da caridade.

Se por algum momento, alguma carga negativa se aproximar, essa carga se choca à guia de contas como um escudo de proteção para o médium. Não podemos esquecer que os fios são feitos de náilon e alguns com ferramentas em metal. Como estão encostados ao nosso corpo poderão também arrebentar por desgaste do material.

As guias, além de servirem de proteção, também têm outras funções como:

- Elo de ligação psíquica entre médium e espírito;

- Instrumento de auxílio nos tratamentos espirituais;

O que são essas guias de proteção para o médium?

São condensadores energéticos utilizados pelos Guias da Lei, para descarregar acúmulos negativos alojados em campos eletromagnéticos.

Com a duração do atendimento as energias vão sendo condensadas às guias que protegem o corpo energético dos médiuns, livrando-os de sobrecargas e desarmonia durante os trabalhos. Como se fosse um para-raio.

Essas guias devem ser confeccionadas ou adquiridas conforme solicitação e orientação das entidades, pois elas são os protetores do médium.

A montagem e as cores das guias devem ser respeitadas pois são direcionadas pelas entidades no plano espiritual, dentro do mistério de cada egrégora.

Os médiuns devem cuidar de suas guias com respeito, carinho e zelo.

Para a limpeza das guias, elas deverão ser colocadas em uma bacia com água e cobertas com ervas específicas do Orixá ou guia correspondente ou defumadas. Normalmente, utilizamos o boldo, no que chamamos de tapete de Oxalá. Essa limpeza também poderá ser feita em mar aberto, nas cachoeiras nos rios e com água da chuva.

Já as guias de esquerda podem ser limpas e descarregadas com a bebida alcóolica correspondente a entidade.

Deve-se tomar cuidado com guias que possuem sementes naturais, pois não poderão ser embebidas em liquido, apenas passar o liquido nas sementes, pois pode estraga-las.

Esses colares usados na Umbanda são pólos de irradiação, pára-raios, defesa, patuás, bentinhos, terços ou qualquer nome que queira dar, conforme crença, região ou língua.

Na Umbanda são usadas as guias (colares), as pulseiras, braçadeiras (contra-eguns), patuás e outros elementos que obedecem os seguintes preceitos.

Usa-se somente produtos naturais como : sementes, pedras, conchas, pedras preciosas e semi-preciosas (mesmo que lapidadas), cristais e outros. Jamais usa-se plástico ou outro produto artificial, usa-se metal apenas quando o Guia Espiritual ou Orixá pede.

Podem ser usados peles, partes de animais (dentes, guizos, unhas, etc) sempre em harmonia com a Entidade a quem se oferta a guia.

Como já dito as guias de proteção devem se confeccionadas com produtos naturais, que sejam excelentes condutores de energia. 

Mesmo a pedido de uma entidade especifica, a guia só poderá ser confeccionada se autorizada pelo dirigente ou pelo guia chefe. Como são colares imantados, precisam ser bentas pelo guia chefe ou pelos dirigentes para que possam ter a mesma tônica vibracional daquelas que todos os outros médiuns que se encontram na mesma roda utilizam.

Todo material utilizado pelos médiuns tem que estar na mesma vibração, na mesma harmonia como um todo. Assim, cada vez mais a corrente espiritual se fortalece. Todas as guias, para terem valor vibracional, devem ser imantadas e fundamentadas. O número de contas deve ser passado pelo Dirigente Espiritual (geralmente são 147 contas ou 151, variando de acordo com o fundamentos de sua Casa). As firmas utilizadas para fechamento das guias servem como espaço mágico para receberem e distribuírem de uma maneira contínua as energias e para formarem assim uma campo magnético fechado ao longo da corrente de contas, passando energia de uma a uma.

As contas, sementes e outras peças devem formar múltiplos de 3, 7 ou 9.

Lembrando que as Guias sempre devem ser feitas pelas mãos daquele que pretende usá-las. Isso é de extrema importância, pois serão suas energias transmitidas para ela durante a sua confecção. Guias compradas prontas, devem ser estouradas e refeitas com um novo fio. Em muitas casas os filhos recebem de presente as guias prontas, não digo que estão errados mas a Guia é um símbolo sagrado que deve ser conquistado pelo médium iniciante e não ganhar do pai ou mãe de santo de presente.

Toda guia deve ser cruzada (benzida) pelo Sacerdote ou por Pai Antero o guia Espiritual de nossa Casa.

Cuidados que o médium deve ter com suas guias?

Não deve:

- Emprestá-las

- Colocá-las no chão

- Pedir para alguém da assistência segurá-las

- Levar ao banheiro

- Armazenar as guias da direita junta na mesma bolsa com a da esquerda

Como deve ser guardadas as guias?

- Guias da direita devem ser enroladas em um tecido branco ou em uma bolsa de tecido branco, se houver separadores ficará perfeito

- Guias da esquerda devem ser enroladas em um tecido preto ou colocadas em uma bolsa de tecido preto

DETERMINAÇÃO 

Nos fundamentos de nossa Casa as guias que poderão ser usadas por determinação de Pai Antero, devem seguir essa ordem: 

Quando um médium novo em desenvolvimento começa a vestir o branco e a participar de uma roda de desenvolvimento, é pedido a ele a primeira guia da casa. Essa, normalmente é a de Oxalá, para todos nós Umbandistas, aquele que retém em seu poder a força de todas as energias da natureza o nosso Pai Maior e pode também ter como referencia Guia de Proteção do Anjo de Guarda.

Essa Guia é feita com miçangas (pequenas) na cor Branca, sem firma, e com fechamento de 7 nós no final.  

GUIA BRANCA E OUTRA COLORIDA: Usada pelo médium, após seu Guia de frente ter mostrado a que Linha pertence. 

GUIA DE CRISTAL COLORIDA: Usada pelo médium após seu Guia de Frente ter riscado o seu Ponto. ( a Entidade diz como e quais as cores que ele usa e o Sacerdote/Sacerdotiza confecciona a Guia de acordo com as instruções da Entidade e das normas da Casa). 

GUIA DE CRISTAL TODA BRANCA: é a chamada Guia de Oxalá, usada por médiuns com Guia Identificado. 

GUIA ATRAVESSADA e/ou BRAJÁS: é usada pelo médium que possui grau confirmado pelo Guia Chefe da Casa, isso após ter passado pelos preceitos referentes ao cargo, no caso de Entidade de direita, atravessada do pescoço ao lado direito da cintura, se de esquerda, do pescoço ao lado esquerdo da cintura. 

GUIA DAS SETE LINHAS: Somente sendo permitida aos médiuns que já  são Consagrados e Sagrados na Casa ou seja médiuns confirmados ou coroados.  

As Guias usadas na Umbanda são aqueles colares coloridos que os médiuns utilizam nos trabalhos, fazendo parte do uniforme do Umbandista. 

É um objeto no qual os Guias e Protetores imantam com determinadas forças para servirem de instrumentos em ocasiões precisas.

Uma guia para proteger, precisa ser "cruzada" para esta finalidade.

A Guia é então, uma das muitas ferramentas utilizadas pelo médium que serve como defesa deste que, muitas vezes, se vê obrigado a entrar em contato com energias às quais ele não poderia suportar, daí a explicação para as guias que arrebentam de repente. Por ser de material altamente atrativo, a guia recebe toda a carga negativa que foi direcionada ao médium e arrebenta.

A guia não serve somente como proteção do médium. Esta tem muitas outras utilidades como, por exemplo;

- Serve como instrumento de ligação psíquica entre Médium e Espírito, como instrumento de tratamento e também como material de trabalho das Entidades, atraindo ou emitindo energias e etc.

- Não se pode montar uma guia só porque acha bonito, ou porque todos usam, ou porque você acha que deva usar.

Porquê?

A guia é uma peça "benta" com força e irradiação para nos proteger e aumentar nossa força, nossa vibração e etc. São ritualisticamente preparadas, ou seja, imantadas, de acordo com a tônica vibracional de quem as irá utilizar (médium e entidade), e conforme o objetivo a que se destinam.

Geralmente, quando uma entidade pede para seu filho montar a sua Guia, a mesma estará presente naquele momento, ou para dar orientações na montagem por intuição, ou para ver se o filho realmente tem o devido respeito pela religião (objetos, entidades, rituais e etc.) ou por vários outros motivos como, por exemplo, testes de fé, de paciência, pois tem vezes que a guia se quebra várias vezes antes de ficar pronta, ou às vezes a entidade está desenvolvendo sua mediunidade através das intuições e muito mais.

Por isso, para montar uma guia, deve-se estar tranqüilo, sem agitação externa e sem preocupações, enfim trabalhando, meditando e se conectando com seus Guias espirituais.

As guias, depois de prontas ou compradas devem ser descarregadas e cruzadas (benzidas).

Como disse acima, a guia será imantada com energias de acordo com as necessidades de quem vai usa-la e a que finalidade será utilizada.

TIPOS DE GUIAS

Existem pelo menos quatro tipos de guias que são utilizadas frequentemente pelos filhos de fé.

São elas:

• Guia de proteção

• Guia de tratamento

• Guia do Orixá

• Guias das Entidades

Cada guia tem seu formato e cores específicas, ela será de acordo com a necessidade a que se destina.

A guia de Sete Linhas, é aquela que tem sete cores, ou seja, representa os sete Orixás da Umbanda.

É utilizada também para proteção, pois significa que o médium está sob a proteção das Sete Linhas da Umbanda.

GUIA DE TRATAMENTO

Como vimos acima, usa-se muito a guia branca, pois ela tem, "também", um efeito psicológico no tratamento.

Quando uma pessoa vai passar por um tratamento utilizando essa guia, é dito ao paciente que é uma guia devidamente cruzada para aquele tratamento, e que essa guia branca é a guia que representa a força ou vibração de Jesus, Oxalá na Umbanda.

Dito isso, a pessoa acaba tendo sua fé aumentada, só por ter dito que é de Jesus; e com isso se obtém melhores resultados no tratamento, não que outras guias não sirvam, mas a parte psicológica conta e muito.

Existem casos em que a entidade lhe empresta ou te dá a guia Dele. Nestes casos, quando você for presenteado com uma, não precisa repor; mas, quando for solicitada a sua reposição, não se esqueça de faze-la, existe aí uma grande ligação entre paciente e entidade.

Não precisa pressa, não; mas a devolução é um meio pelo qual a Entidade tem a certeza de que você ao menos tem interesse pelo "teu caso" e respeita o que o Caboclo ou Preto-Velho falou.

GUIA DO ORIXÁ

É a guia que está ligada à faixa vibratória do médium e também é a guia que representa a linhagem das entidades que trabalham com esse médium.

A guia do Orixá é feita na cor relacionada ao Orixá, geralmente de uma cor só, apesar de existirem centros que trabalham com Orixás cruzados. Nesses casos as guias são de duas ou mais cores.

Por exemplo, um Filho de Ogum, usa uma guia vermelha e um Filho de Oxossi usa uma guia verde.

Ogum (guerreiro) tem sua vibração nos campos abertos, já Oxossi (caçador) tem sua vibração nas matas, então não sei como pode existir esse cruzamento de vibrações e Orixás, mas existe...

GUIAS DAS ENTIDADES

São aquelas guias que não tem um padrão, ou seja, cada entidade pede sua guia de trabalho de acordo com suas necessidades. Por isso é que temos tantos modelos de guias tão diferentes umas das outras; temos guias feitas com contas (bolinhas) coloridas e intercaladas com outros materiais, como dentes, olho de cabra, coquinhos e etc.

As guias das entidades devem ser feitas exatamente como elas pediram, pois tem grandes significados para elas que nós nem sequer imaginamos, é como um ponto riscado, cheio de mistérios. Algumas dão até para adivinhar, por exemplo, uma guia toda verde com sete flechas intercaladas e com o fechamento vermelho.

Bem, vamos lá...

A cor verde quer dizer que é um Caboclo (jamais vi um Preto-Velho ou um Exu com uma guia verde), as sete flechas poderia indicar o nome desse Caboclo e o fechamento vermelho pode estar indicando a linha que a entidade trabalha, nesse caso linha de Ogum. Então teríamos aí o Caboclo Sete Flechas de Ogum.

Isso foi só um exemplo, bem fácil por sinal. Existem muitas outras guias que são indecifráveis para nós.

UTILIZANDO AS GUIAS

Geralmente os médiuns usam as seguintes guias no trabalho:

• De proteção

• Do seu Orixá

• Dos seus Guias (entidades que trabalham com o médium)

As guias são geralmente usadas no pescoço, porém em alguns casos pode-se notar que alguns médiuns as usam atravessadas no peito, outros na mão e etc.

Isso ocorre por vários motivos.

Vejamos alguns:

As guias usadas no pescoço servem como um elo de ligação entre seu Orixá (faixa vibratória) e a entidade atuante naquele momento.

Usa-se a guia no pescoço para dar mais intensidade no lado mental do médium, melhorando a comunicação ou transmissão daquilo que a entidade pretende passar ou até mesmo ajudando na ligação do médium ao espírito na hora da incorporação das entidades, onde o médium precisa elevar a sua faixa vibratória e a entidade descer a sua para que ocorra a comunicação.

Quando um médium utiliza a guia atravessada no peito, geralmente do lado direito para o esquerdo, é por causa do coração (estado emocional).

A entidade percebe que seu filho está ou tem algum problema ou desvio emocional que poderia influenciar no trabalho, geralmente corações endurecidos, então a guia será imantada para agir na parte emocional do médium.

Utiliza-se a guia atravessada também em tratamentos de certas partes do corpo, mas somente quando for ordenado que seja dessa forma, caso contrário a guia deve ser colocada no pescoço normalmente.

Guias nas mãos ou enroladas no pulso, somente quando o médium está incorporado.

Nesse caso, a entidade utiliza a guia para dar passes.

Quando a entidade enrola sua guia na mão, às vezes nas mãos do consulente, ela está direcionando energias.

Uma guia enrolada na mão da entidade serve como um condutor de energia que será emitida àquela pessoa, quando enrolada nas mãos do consulente, pode ser que a entidade esteja retirando energias negativas daquela pessoa.

Lembre-se que nem todas entidades trabalham dessa forma, cada um com seu jeito de trabalhar. Muitas entidades, ao invés de usar a guia para retirar ou emitir energias, preferem trabalhar com seu charuto ou cachimbo.

Existem entidades que colocam suas guias no chão e pedem para que o consulente entre dentro daquele círculo na hora que forem passar pelo passe.

Esse círculo forma um campo magnético, onde a entidade vai trabalhar as diversas energias que está sendo trazida pelo consulente.

Existem entidades que não colocam sua guia, mas fazem um círculo riscado no chão, e trabalham da mesma maneira.

Algumas entidades usam suas guias no pescoço do consulente na hora do passe, outras usam as guias para formar um círculo no ponto riscado e etc.

Muito bem, aí foram algumas formas que as guias são usadas nos trabalhos. Podem existir muitas outras maneiras diferentes de se usar uma guia, mas tudo deve ser feito com orientação.

Uma guia cruzada, usada sem orientação ou de forma errada, pode causar problemas a quem as utiliza.

RELEMBRANDO

- As guias são elementos ritualísticos pessoais, individuais e intransferíveis, devendo ser confeccionadas, manipuladas e utilizadas somente pelo médium a quem se destinam.

- Deve-se observar que cada indivíduo e cada ambiente possuem um campo magnético e uma tônica vibracional próprios e individual (tanto positivo quanto negativo).

- A confecção ou manipulação das guias por outras pessoas, ou ainda, seu uso, em ambientes ou situações negativas ou discordantes com o trabalho espiritual, fatalmente acarretará uma "contaminação" ou interferência vibracional.

- Como elemento de atração e isolamento, funcionam como um tipo de "Para-Raios", atraindo para si, toda (ou quase) a carga negativa ou estranha ao médium, isolando-o até certo ponto. No entanto, as guias irão permanecer "carregadas", até serem devidamente "limpas".

- Excepcionalmente, podem ser utilizadas pelo médium, para "puxar" uma determinada vibração, de forma a lhe proporcionar alivio em seus momentos de aflição. Nestes casos, 10 a 15 minutos de uso são suficientes.

- Em qualquer dos casos, a guia ira proporcionar uma interferência no campo magnético do médium. Dependendo da situação ou circunstância, poderá até mesmo causar-lhe um certo desconforto aparente ou mal-estar, devido a um aceleramento de sua Faixa Vibratória.

- Mesmo durante um trabalho espiritual ou ritualístico, notadamente antes de uma incorporação, o uso indiscriminado de diversas guias ao mesmo tempo, poderá prejudicar a sintonia do médium, uma vez que, diversas falanges serão atraídas ao mesmo tempo.

- Apenas em casos muito raros e excepcionais, podem ser utilizadas em outra pessoa, como forma a favorece-la com uma vibração positiva específica (notadamente em relação à saúde), observando-se, contudo o cuidado de ao retira-las, limpa-las adequadamente antes de serem reutilizadas pelo médium.

Como vimos, as guias são elementos ritualísticos muito sérios e como tal que devem ser respeitados e cuidados.

Seu uso deve se restringir ao trabalho espiritual, ao ambiente cerimonial (terreiro) e aos momentos de extrema necessidade por parte do médium.

Utilizar a guia em ambientes ou situações dissonantes com o trabalho espiritual, ou por mera vaidade e exibicionismo, é no mínimo um desrespeito para com a vibração a qual representam.

A guia é um objeto muito sério e deve ser utilizado com seriedade.

Lembre-se que as guias são objetos sagrados e como tais devem ser tratadas.

Mas, o mais importante de fato, é que o Filho aprenda a ter fé e confiança nas Entidades e em Deus, não se apoiando em verdadeiras "muletas psicológicas" para se sentir protegido.

Lembre-se: o que está escrito aqui não é regra geral para a Umbanda!

Salve as guias!


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